Metade dos dez carros mais vendidos no varejo brasileiro em junho de 2026 saiu de uma marca chinesa, segundo dados da Fenabrave. A BYD liderou o varejo do mês com cerca de 12,59% de participação, à frente da Volkswagen (perto de 12,50%) e da Fiat (por volta de 10,10%), e o BYD Dolphin Mini foi o carro mais emplacado em concessionária, com aproximadamente 5.143 unidades. Só que o preço de tabela é a parte fácil da decisão. O que separa um bom negócio de uma dor de cabeça é o que vem depois da compra: onde você conserta o carro, quanto tempo demora uma peça, o que a garantia cobre de fato e quanto o modelo deve valer na revenda daqui a três anos. Este guia reúne oito chineses à venda hoje, agrupados por marca de origem (BYD, GWM, Caoa Chery e Geely), e olha justamente esses quatro pontos. Se você quer a resposta curta: para rodar barato na cidade, o Geely EX2 e o BYD Dolphin dão conta; para híbrido de família com rede grande, o GWM Haval H6 e o BYD King puxam a frente; para revenda mais previsível, a Caoa Chery tem o histórico mais longo no país. Foi assim que a gente montou esta seleção: olhando o que acontece depois que a nota fiscal esfria, não o brilho do lançamento.
O que pesa antes do preço de tabela
Agrupei os oito modelos por marca de origem, e não em uma lista corrida de 1 a 8, porque comprar chinês em 2026 é escolher um ecossistema de marca antes de escolher um carro. Dentro de cada marca, eles vão do modelo mais acessível ao topo de gama. Para cada um anotei quatro coisas: onde a marca produz ou importa (o que afeta a fila de peças), o que a garantia cobre hoje, a autonomia homologada pelo Inmetro quando é elétrico, e a desvalorização estimada com base na Tabela Fipe. Todos os preços são aproximados, mudam a cada tabela e variam por região e por lote promocional, então trate os valores como ponto de partida e feche o número na concessionária, conferindo a garantia vigente no manual do ano-modelo que você vai comprar.
BYD: a fila que começa em Camaçari
A BYD é a marca que puxa a fila chinesa no Brasil e, desde outubro de 2025, monta parte da linha na fábrica de Camaçari, na Bahia, o que encurta o caminho das peças de maior desgaste. Foi ela também que mexeu nas regras de garantia: para os modelos 2026/2027, a montadora unificou a cobertura da bateria em 8 anos ou 200.000 km e a do veículo em 6 anos ou 200.000 km no uso particular, com revisões a cada 12 meses ou 20.000 km, segundo a própria BYD e a cobertura da imprensa em maio de 2026. As mudanças não são retroativas: quem comprou antes mantém o contrato original. A gama vai do hatch urbano à picape híbrida de baixo volume, e nem toda versão herda a mesma ficha de segurança: a nota 5 estrelas do Dolphin Plus no Latin NCAP, por exemplo, não cobre os irmãos mais baratos, como detalhamos nos carros mais seguros do Brasil.
BYD Dolphin (hatch)
O Dolphin hatch (versão GS, não confundir com o Dolphin Mini menor) é o elétrico de uso misto da marca: bateria de 44,9 kWh e 291 km de autonomia pelo Inmetro, por cerca de R$ 149.990 (aprox., sujeito a reajuste). Foi um dos elétricos mais vendidos do país e sai de Camaçari, então é dos chineses com peça de reposição mais fácil. Para quem quer entrar no elétrico com a rede e o pós-venda mais rodados entre as marcas chinesas.
BYD King DM-i
O King DM-i é o sedã híbrido plug-in da BYD, entre cerca de R$ 189.990 (versão GL) e R$ 209.990 (GS). Combina motor 1.5 turbo flex com sistema elétrico, roda em torno de 80 km só no elétrico e a marca anuncia até 48 km/l em ciclo urbano com a bateria carregada. Também é feito em Camaçari. Entre os chineses, sedãs mais exclusivos como o King tendem a segurar melhor o valor na Fipe do que os SUVs de maior oferta. Para quem quer híbrido de rodar longe sem depender de recarga pública.
BYD Seal
O Seal é o sedã 100% elétrico de topo da marca no volume: bateria de 82,5 kWh, 372 km pelo Inmetro (a maior autonomia entre os BYD desta lista) e versão AWD de 530 cv, por volta de R$ 269.990 (aprox.). É importado, com a ficha de desempenho como principal argumento. Para quem prioriza autonomia e potência e aceita um ticket mais alto, ciente de que sedã premium importado ainda tem curva de revenda em formação.
BYD Shark
A Shark é a picape híbrida plug-in da BYD: 430 cv combinados, cerca de 840 km de autonomia total e uns 100 km só no elétrico. Chegou a custar perto de R$ 379.800 e passou a sair por volta de R$ 269.990 no lote de lançamento, depois de vendas fracas (aproximadamente 232 unidades emplacadas no primeiro trimestre de 2026). É a aposta de menor volume da marca, então trate a revenda e a oferta de peças como incógnitas ainda. Para quem quer uma picape eletrificada e topa ser early adopter.
GWM: o híbrido nacional e o elétrico retrô
A GWM aposta em eletrificação de um jeito diferente da BYD: em vez do carro puramente elétrico barato, o foco é o híbrido. A marca produz em Iracemápolis, no interior de São Paulo, e oferece 5 anos de garantia sem limite de quilometragem, com 8 anos ou 200.000 km para o sistema híbrido, segundo os compromissos publicados pela GWM. O Haval H6 foi um dos SUVs híbridos mais vendidos do país e apareceu por volta da oitava posição no varejo de junho de 2026, disputando espaço no nosso ranking de melhores carros híbridos.
GWM Ora 03
O Ora 03 é o elétrico de visual retrô da GWM: hatch com 315 km de autonomia pelo Inmetro, a partir de cerca de R$ 150.990 na versão de entrada, chegando perto de R$ 169.000 na série limitada. É o único 100% elétrico da marca por aqui e disputa direto com o Dolphin e o EX2. Para quem quer um elétrico urbano com desenho diferente do resto da fila.
GWM Haval H6
O Haval H6 é o carro-chefe da GWM e um dos SUVs híbridos mais vendidos do Brasil. A linha 2026 começa por volta de R$ 199.000 na versão híbrida HEV de entrada e passa de R$ 248.000 na PHEV plug-in, com produção em Iracemápolis. O trunfo aqui é a combinação de SUV médio equipado, consumo baixo de híbrido e a garantia estendida do sistema híbrido. Para família que quer híbrido nacional com rede grande e sem a obrigação de usar tomada.
Caoa Chery: a chinesa com mais estrada aqui
A Caoa Chery é a marca chinesa com mais estrada no Brasil: monta há anos em Anápolis, em Goiás, e em Jacareí, em São Paulo, o que dá a ela a rede de assistência e o histórico de peças mais maduros do grupo. Isso também aparece na revenda: modelos com cinco anos ou mais de mercado, caso de vários Chery, têm curva de depreciação mais previsível do que a das marcas que acabaram de chegar. E como a linha mistura turbo, híbrido e plug-in no mesmo carro, ajuda entender antes os tipos de carro híbrido explicados.
Caoa Chery Tiggo 7 Pro
O Tiggo 7 Pro é o SUV médio da casa, com a gama mais ramificada da lista: parte de cerca de R$ 142.990 na versão Sport 1.5 turbo, sobe para perto de R$ 178.990 a R$ 181.990 nas híbridas Max Drive e chega a cerca de R$ 209.990 na PHEV plug-in. É produzido no Brasil pela Caoa. Para quem quer um chinês com a rede mais rodada e várias motorizações no mesmo modelo, do turbo simples ao híbrido de tomada.
Geely: reentrada agressiva pelo elétrico
A Geely voltou ao Brasil com uma estratégia agressiva de preço, e o EX2 é a ponta de lança: um elétrico de entrada que já brigou pela terceira posição geral no varejo de junho de 2026, com cerca de 4.363 unidades. A garantia é de 6 anos ou 150.000 km no veículo e 8 anos ou 150.000 km na bateria de tração, segundo a Geely Brasil. O ponto de atenção é a rede: por enquanto o modelo é importado e a malha de concessionárias ainda está em expansão, então trate a nacionalização e a capilaridade da assistência como estimativa não confirmada. Para comparar o preço de entrada com o resto do mercado, veja os carros elétricos mais baratos do Brasil.
Geely EX2
O EX2 (versão PRO) parte de cerca de R$ 123.800 à vista, é o mais barato desta lista e tem 289 km de autonomia pelo Inmetro, bateria de 39 kWh, 116 cv e tração traseira. Foi um dos elétricos mais emplacados de 2026. Para quem quer o menor preço de entrada em um elétrico com autonomia de sobra para a cidade, aceitando que a rede da marca ainda está sendo montada.
Desvalorização estimada e o que a Fipe mostra
A curva de revenda dos chineses ainda está sendo desenhada, e ela não é uniforme. O caso mais citado é o de um BYD Song Plus importado, comprado em março de 2023 por cerca de R$ 270 mil, que aparecia por volta de R$ 164 mil na Tabela Fipe em 2026, uma queda estimada de aproximadamente 39% em três anos. Na outra ponta, modelos de nicho como o BYD King e o Han EV foram negociados perto ou até acima da tabela, porque há menos usados no mercado. A leitura geral: marcas com cinco anos ou mais de país, como Chery e JAC, têm depreciação mais previsível; BYD, GWM e as recém-chegadas ainda constroem esse histórico. Lá fora, levantamentos alemães apontam que elétricos chineses têm desvalorizado cerca de duas vezes mais rápido que rivais tradicionais, um alerta que ainda não se sabe se vai se repetir aqui. Para entender como ler esses valores, veja o guia sobre o que é a Tabela Fipe e como consultar.
| Marca | Garantia do veículo | Bateria ou híbrido | Produção no Brasil |
|---|---|---|---|
| BYD | 6 anos / 200.000 km (2026/27, particular) | Bateria 8 anos / 200.000 km | Camaçari (BA) |
| GWM | 5 anos, sem limite de km | Sistema híbrido 8 anos / 200.000 km | Iracemápolis (SP) |
| Geely | 6 anos / 150.000 km | Bateria 8 anos / 150.000 km | Importado (rede em expansão) |
| Caoa Chery | Confirme a cobertura vigente | Confirme por versão | Anápolis (GO) e Jacareí (SP) |
Como escolher entre as quatro marcas
Se o critério for menor preço de entrada em um elétrico, o Geely EX2 a cerca de R$ 123.800 é o ponto de partida, com a ressalva de que a rede da marca ainda está crescendo. Se o que pesa é rede de assistência e peças já rodadas, a Caoa Chery e a BYD saem na frente: a Chery pela maturidade em Anápolis e Jacareí, a BYD pela produção em Camaçari e pelo maior número de concessionárias entre as chinesas. Para híbrido de família sem depender de tomada, o GWM Haval H6 e o BYD King são as escolhas mais equilibradas, com a garantia estendida do sistema híbrido como reforço. Quem pensa primeiro na revenda deve preferir marcas com histórico mais longo no país, como a Chery, ou modelos de nicho e menor oferta de usados, como o BYD King, e olhar com cautela lançamentos de baixo volume como a Shark, cuja depreciação ainda é uma incógnita. Nenhuma dessas contas fecha no adesivo da vitrine: confirme preço, garantia e prazo de peças na concessionária antes de assinar. Fontes: Fenabrave, Inmetro/PBEV, BYD Brasil, GWM, Geely Brasil, Caoa Chery, Tabela Fipe, CNN Brasil e imprensa automotiva.
Perguntas frequentes
A BYD. Em junho de 2026 ela liderou o varejo com cerca de 12,59% de participação, à frente da Volkswagen (perto de 12,50%) e da Fiat (por volta de 10,10%), segundo dados da Fenabrave. O BYD Dolphin Mini foi o carro mais emplacado em concessionária no mês, com aproximadamente 5.143 unidades, e o Geely EX2 apareceu logo atrás, brigando pela terceira posição geral.
Depende do modelo, e a curva ainda está em formação. Um BYD Song Plus importado de 2023 caiu cerca de 39% em três anos pela Tabela Fipe, enquanto modelos de nicho como o BYD King e o Han EV seguraram melhor o valor por terem menos usados no mercado. Marcas com cinco anos ou mais de país, como Chery e JAC, têm depreciação mais previsível. No exterior, elétricos chineses têm desvalorizado mais rápido que rivais, então trate a revenda como estimativa e priorize modelos com rede consolidada.
Para os modelos 2026/2027, a BYD oferece 6 anos ou 200.000 km no veículo e 8 anos ou 200.000 km na bateria, no uso particular, sem retroatividade para quem já comprou. A GWM dá 5 anos sem limite de quilometragem, com 8 anos ou 200.000 km no sistema híbrido. A Geely cobre 6 anos ou 150.000 km no veículo e 8 anos ou 150.000 km na bateria de tração. Confirme sempre no manual do ano-modelo, porque as regras mudam.
É o ponto que mais pesa. Modelos com produção local, caso da BYD em Camaçari, da GWM em Iracemápolis e da Caoa Chery em Anápolis e Jacareí, tendem a ter reposição mais rápida de itens de desgaste como suspensão, freios e lataria. Já os importados de baixo volume podem esperar mais por peças específicas vindas da China. Antes de comprar, pergunte na concessionária o prazo médio de peças para o modelo exato.
Para revenda mais previsível, marcas com histórico mais longo no Brasil, como a Chery, ajudam, porque já têm curva de depreciação conhecida. Modelos de nicho e menor oferta de usados, como o BYD King, também tendem a segurar melhor o valor. O maior risco está em lançamentos de baixíssimo volume, como a BYD Shark, cuja revenda ainda é uma incógnita. Em qualquer caso, mantenha as revisões em dia para preservar a garantia e o valor de troca.