1,38 megajoule por quilômetro: esse é o consumo energético do carro flex a combustão mais econômico que o Inmetro mediu em 2026. O número parece técnico, mas é justamente ele que separa o ranking sério da conversa de showroom. A tabela PBE Veicular do Inmetro mede cada versão por norma e classifica os carros em megajoules por quilômetro, e quem gasta menos energia para rodar um quilômetro lidera, ponto. A revisão com ano 2026 foi divulgada em 21 de janeiro de 2026, reúne cerca de 794 modelos e versões de 39 marcas e registrou melhoria de 2,27% na eficiência média em relação aos modelos 2025. Abaixo organizei os flex pela mesma régua do documento, com o km/l de gasolina e de etanol que cada um homologou, e deixei claro onde os híbridos flex entram e por que eles não disputam no mesmo balde que um 1.0 puro. Lembrando que a gasolina comum hoje é E30, com 30% de etanol anidro, desde agosto de 2025, então o número de gasolina já considera essa mistura. Sobre os preços: trate cada cifra em reais como ordem de grandeza, não como número cravado, porque a mesma versão muda de um estado para outro e de uma semana para a outra. A procedência de cada dado está listada no rodapé.
Como o Inmetro mede o flex
Carro flex tem quatro números de consumo, não dois. O Inmetro publica cidade e estrada para gasolina e repete o par para etanol, porque o álcool rende menos quilômetros por litro pela própria química do combustível. Para ranquear, o documento usa o consumo energético em MJ/km, que junta os dois ciclos e os dois combustíveis numa medida única de energia gasta por quilômetro, e é por ele que comparei os carros aqui: menor MJ/km, mais eficiente. Isso evita a armadilha de escolher só pelo número de gasolina de estrada, que sempre parece bonito. Vale separar também o que este guia é e o que não é. Aqui falo de flex a combustão pura, o 1.0 que você abastece no posto sem tomada nenhuma. Os híbridos flex, que também rodam com etanol mas têm motor elétrico ajudando, aparecem mais abaixo numa seção própria, porque misturá-los na mesma lista faria um Onix de cem mil reais competir com um PHEV de preço muito maior, e a comparação perderia sentido prático.
Os dois Onix no topo
Entre os flex a combustão, a Chevrolet ocupa o pódio inteiro de cima com dois Onix. O Onix 1.0 Turbo manual é o mais econômico de toda a categoria pela tabela 2026, e o Onix Plus, o sedã da mesma família, vem logo atrás com a diferença de uma casa decimal. São carros classe A de eficiência, e o detalhe que o ranking expõe é familiar a quem dirige turbo pequeno: o melhor número aparece na estrada, com velocidade constante, não na cidade engarrafada.
Chevrolet Onix 1.0 Turbo MT
É o carro flex a combustão mais econômico da tabela PBEV 2026, com 1,38 MJ/km. Gasolina de 13,7 km/l na cidade e 17,7 km/l na estrada; com etanol cai para 9,8 e 12,4 km/l. O câmbio manual ajuda no número, e o 1.0 turbo entrega o melhor desempenho rodoviário da lista. Preço de mercado estimado em torno de R$ 101.790, valor que varia por região e versão, não oficial. Para quem quer o menor gasto por quilômetro sem migrar para híbrido e aceita trocar marcha.
Chevrolet Onix Plus 1.0
O sedã da linha Onix aparece em segundo entre os flex a combustão, com 1,39 MJ/km, praticamente colado no hatch. Gasolina de 13,9 km/l na cidade e 17,1 km/l na estrada. Faz o número urbano até um pouco melhor que o irmão hatch e perde só na ponta de estrada. Classe A de eficiência. Para quem quer porta-malas de sedã sem abrir mão do consumo de topo da categoria.
Os populares logo atrás
Abaixo dos Onix vêm os hatches de entrada mais baratos do mercado, e aqui a lógica do consumo se inverte. Sem turbo, o Mobi e o Kwid brilham na cidade, onde o motor pequeno e o carro leve trabalham a favor, e perdem na estrada, onde falta fôlego em velocidade constante. São os flex de menor preço da lista e a opção de quem quer gastar pouco no posto e ainda menos na compra.
Fiat Mobi Like 1.0
Aparece entre os flex mais econômicos com 1,40 MJ/km. Gasolina de 14,5 km/l na cidade, o melhor número urbano desta lista, e 15,8 km/l na estrada; etanol de 10,1 e 11,1 km/l. É o oposto do Onix Turbo: ganha na cidade e cede na estrada, porque o 1.0 aspirado sofre mais a velocidade alta. Para quem roda quase tudo em trânsito urbano e quer o carro mais barato que ainda figura no topo da tabela.
Renault Kwid 1.0
A própria nota do Inmetro cita o Kwid 1.0 logo depois dos dois Onix entre os campeões flex. Fica em cerca de 1,41 MJ/km, com gasolina de aproximadamente 14,4 km/l na cidade e 15,4 km/l na estrada (o número de estrada varia entre 15,4 e 15,5 conforme a fonte). Carro leve e barato, com perfil urbano parecido com o do Mobi. Para quem quer um dos menores preços da categoria sem sair do grupo mais eficiente.
Os sedãs compactos da faixa
Quem precisa de porta-malas grande mas quer ficar perto do topo tem dois sedãs compactos na sequência. Eles gastam um pouco mais de energia por quilômetro que os hatches acima, o que faz sentido: são carros maiores e mais pesados. Ainda assim seguem entre os flex mais econômicos da tabela, com números de estrada que se aproximam dos populares.
Fiat Cronos 1.0
Entra na lista com 1,46 MJ/km. Gasolina de 13,4 km/l na cidade e até cerca de 15,9 km/l na estrada, o melhor número rodoviário deste grupo de sedãs. É o sedã de entrada da Fiat, com espaço de família e consumo que se segura na faixa econômica. Para quem quer mala grande e bom número de estrada sem subir de preço para um médio.
Hyundai HB20S 1.0
Fecha o bloco com 1,47 MJ/km. Gasolina de 13,4 km/l na cidade e 15,4 km/l na estrada. É o sedã da linha HB20, com números muito próximos aos do Cronos e o consumo energético mais alto entre os flex a combustão desta seleção, ainda assim dentro da faixa eficiente. Para quem prefere o pacote da Hyundai e aceita ficar um degrau abaixo dos Onix no posto.
Os híbridos flex que distorcem a lista
Aqui mora a pegadinha de várias listas de internet. Quando a imprensa monta o ranking de flex mais econômicos sem separar tecnologia, o topo deixa de ser combustão pura e passa a ser híbrido flex. Na lista da O Tempo, por exemplo, o líder absoluto é o GWM Tank 300 PHEV com 1,07 MJ/km, seguido do Toyota Yaris Cross Hybrid com 1,23 MJ/km e do Toyota Corolla Hybrid com 1,26 MJ/km. Tecnicamente são flex, porque queimam etanol, mas têm motor elétrico fazendo metade do trabalho e custam muito mais que um Onix. Misturá-los com o 1.0 puro inflaria o número do topo e confundiria quem só quer saber qual carro de posto gasta menos. Por isso eles ficam aqui, sinalizados: se o seu critério é menor consumo absoluto e o orçamento alcança, o híbrido flex ganha de qualquer combustão pura, mas é outra categoria de preço e de tecnologia.
Veredito
Pela tabela PBEV 2026 do Inmetro, o flex a combustão mais econômico é o Chevrolet Onix 1.0 Turbo MT, com 1,38 MJ/km, 13,7 km/l de gasolina na cidade e 17,7 km/l na estrada. O sedã da mesma família, o Onix Plus 1.0, é o segundo, com 1,39 MJ/km e 13,9 km/l urbanos contra 17,1 km/l de estrada, então quem quer porta-malas de sedã não paga quase nada de consumo por isso. Na faixa de entrada mais barata, o campeão muda de perfil: o Fiat Mobi Like 1.0 lidera a cidade com 14,5 km/l de gasolina e 1,40 MJ/km, com o Renault Kwid 1.0 logo ao lado em cerca de 1,41 MJ/km. Se a sua rota é quase toda urbana, o Mobi gasta menos no dia a dia que o próprio Onix Turbo na cidade, apesar de o Onix liderar no número combinado. Entre os sedãs compactos, Cronos (1,46 MJ/km) e HB20S (1,47 MJ/km) seguram a faixa econômica com mala grande. E fica o aviso que muda a leitura de qualquer lista: se você cruzar com um ranking onde o Tank 300 PHEV ou um Toyota híbrido aparecem em primeiro, eles são híbridos flex, jogam em outra faixa de preço e por isso não estão competindo de igual para igual com o Onix. Para combustão pura, de posto, o Onix 1.0 Turbo é o número a bater. Fontes: Inmetro/PBE Veicular 2026, com consumos e faixas de preço estimados por O Tempo, Revista Carro, Visão Veicular e imprensa automotiva; preços em reais são estimativas de mercado.
Perguntas frequentes
Entre os flex a combustão pura, o Chevrolet Onix 1.0 Turbo MT, com 1,38 MJ/km de consumo energético na tabela PBEV 2026. Faz 13,7 km/l de gasolina na cidade e 17,7 km/l na estrada; com etanol, 9,8 e 12,4 km/l. O sedã Onix Plus 1.0 vem logo atrás, com 1,39 MJ/km.
Porque o flex tem quatro números de consumo, cidade e estrada para gasolina e o mesmo par para etanol, e o km/l de gasolina de estrada sempre parece o mais bonito. O MJ/km, megajoules por quilômetro, junta os ciclos e os combustíveis numa medida única de energia gasta por quilômetro. Menor MJ/km significa carro mais eficiente, e é o critério oficial do PBEV.
Na cidade, sim, em km/l de gasolina. O Fiat Mobi Like 1.0 faz 14,5 km/l urbano e o Kwid cerca de 14,4 km/l, contra 13,7 km/l do Onix Turbo, porque são leves e aspirados. Só que o Onix devolve a vantagem na estrada, com 17,7 km/l contra 15,8 do Mobi, e por isso lidera no número combinado. Se você só roda na cidade, o Mobi gasta menos no dia a dia.
Tecnicamente sim, porque queimam etanol, e em listas que misturam tudo eles lideram: o GWM Tank 300 PHEV faz 1,07 MJ/km, o Toyota Yaris Cross Hybrid 1,23 e o Corolla Hybrid 1,26. Mas são híbridos flex, com motor elétrico e preço muito acima de um 1.0 puro. Separei por isso: para quem quer combustão de posto, o ranking que importa começa no Onix 1.0 Turbo.
Sim. A gasolina comum brasileira virou E30, com 30% de etanol anidro, em agosto de 2025, por força da Resolução CNPE nº 9/2025. Os consumos de gasolina da tabela PBEV 2026 já refletem essa mistura, então o que você lê aqui é o km/l com a gasolina que está hoje na bomba, não com a fórmula antiga.