O CET, sigla de Custo Efetivo Total, é a taxa que diz, num número só, quanto o seu financiamento custa de verdade em um ano. Ele reúne os juros somados a IOF, tarifa de cadastro, seguros e as demais despesas que o banco cobra, tudo consolidado e expresso como percentual anual. A taxa de juros que aparece no anúncio, aquela de a partir de X% ao mês, é só uma fatia desse total. Por isso duas propostas com juro parecido podem terminar com parcelas bem diferentes: a que embute mais tarifa e mais seguro tem CET maior, mesmo com o juro baixinho na vitrine. O que vem abaixo mostra o que entra no CET, como cada cobrança infla a parcela e como colocar dois bancos lado a lado sem cair na pegadinha do quanto fica por mês.
O CET em uma frase
Pense no CET como a etiqueta de preço final do crédito. A taxa de juros mede só o custo do dinheiro emprestado; o CET mede o custo da operação inteira, do primeiro ao último real que sai do seu bolso. Ele é calculado como uma taxa efetiva, informada ao ano, que traz para uma conta única os juros, os tributos, as tarifas e os seguros do contrato, na mesma lógica de uma taxa interna de retorno. Na prática, quanto mais coisa o banco pendura no financiamento, mais o CET se descola da taxa anunciada. Juro nominal e CET quase colados indicam um contrato enxuto. Uma distância grande entre os dois indica cobrança acessória pesando ali no meio.
Por que a taxa anunciada quase nunca é o que você paga
A propaganda de financiamento vende a menor taxa possível, quase sempre com um a partir de na frente. Esse número é a taxa de juros nominal, e ele tem dois problemas. Primeiro, o a partir de costuma valer só para o cliente de melhor perfil de crédito, com maior entrada e prazo curto; a sua taxa pode ser outra. Segundo, e mais importante, o juro nominal ignora tudo o que vem grudado no contrato. Some IOF, tarifa de cadastro e um seguro embutido e o custo real sobe vários pontos acima daquela taxa da vitrine. Foi para acabar com essa comparação injusta que o Banco Central tornou o CET obrigatório: é o número que iguala o jogo entre bancos que anunciam de formas diferentes. Comparar propostas pela taxa de juros é como comparar carros só pelo preço de tabela, ignorando frete, emplacamento e opcionais. Se o financiamento é mesmo o melhor caminho para você, ou se consórcio e pagamento à vista saem na frente, é uma decisão anterior a esta, tratada no guia de financiamento, consórcio ou à vista.
O que está embutido no CET
Abrir o CET é entender de onde vem cada centavo além do juro. Estes são os itens que, somados, compõem o custo efetivo de um financiamento de carro:
- Juros: o custo do dinheiro emprestado, atrelado à Selic, que está em 14,25% ao ano desde junho de 2026. A taxa média do CDC (Crédito Direto ao Consumidor) para veículos rondava cerca de 1,8% a 2% ao mês, algo perto de 24% a 26% ao ano, segundo estimativas de mercado, mas o valor varia bastante por banco e por perfil.
- IOF: o imposto federal sobre a operação de crédito. Para pessoa física, são 0,38% fixos sobre o valor financiado mais 0,0082% ao dia, cobrados por até 365 dias, o que chega a cerca de 3,38% no primeiro ano, conforme o Decreto nº 12.499/2025. Ele costuma ser financiado junto, então entra na parcela.
- Tarifa de cadastro (TC): cobrança única no início do contrato, para as pesquisas cadastrais e a abertura da operação. O valor varia por instituição e some no montante financiado.
- Seguros: o prestamista, que quita ou paga parcelas em caso de morte, invalidez ou desemprego, é opcional. Quando embutido, engorda o CET sem que muita gente perceba.
- Registro do contrato e avaliação: a inclusão do gravame no órgão de trânsito e, em usados, a eventual tarifa de avaliação do veículo também entram na conta.
Repare que só o primeiro item é juro. Todo o resto é custo acessório, e é justamente ele que separa a taxa anunciada do CET. No caso de usado, a tarifa de avaliação e a checagem de procedência caminham junto com a papelada do carro, um cuidado detalhado no passo a passo de como comprar carro usado seguro.
Como as tarifas incham a parcela: uma conta de exemplo
Um exemplo hipotético deixa o efeito visível. Imagine R$ 60 mil financiados em 48 parcelas, com juro nominal de cerca de 1,8% ao mês, algo em torno de 24% ao ano. Só com o juro, essa seria a conta. Agora entram os acessórios:
- IOF de aproximadamente 3,38% no primeiro ano, cerca de R$ 2 mil sobre os R$ 60 mil, financiado junto e diluído nas parcelas.
- Tarifa de cadastro cobrada uma vez, tipicamente algumas centenas de reais, somada ao valor financiado.
- Seguro prestamista opcional, que pode acrescentar de 2% a 5% ao montante, conforme o contrato.
- Registro do gravame, mais algumas dezenas a centenas de reais.
Cada linha dessas é pequena isolada, mas juntas empurram o custo real para longe do juro da vitrine. Uma taxa anunciada perto de 1,8% ao mês pode virar um CET que passa de 30% ao ano depois de IOF, tarifa e seguro somados (números ilustrativos; o seu contrato pode ficar acima ou abaixo). E há um detalhe que agrava tudo: como IOF, tarifa e seguro costumam ser financiados, você paga juro sobre eles também. A cobrança acessória não só entra na conta, ela ainda rende juro ao longo do prazo. Por isso uma entrada maior derruba o CET de forma tão eficiente, já que menos valor financiado significa menos juro incidindo sobre tudo, inclusive sobre as tarifas. O peso relativo da entrada tem um artigo próprio em financiamento com entrada ou sem entrada.
Duas propostas lado a lado: o jeito justo de comparar
Com o CET na mão, comparar bancos vira tarefa simples, desde que você iguale as condições. O passo a passo:
- Peça o CET anual de cada proposta, por escrito. O banco é obrigado a informá-lo antes da assinatura.
- Iguale prazo e entrada nas duas simulações. CET de 48x não se compara com CET de 60x.
- Some o total a pagar de cada uma, parcela vezes número de parcelas, e veja quantos reais separam as ofertas.
- Confira as contas na Calculadora do Cidadão do Banco Central, que refaz a simulação a partir dos dados da proposta.
- Questione cada tarifa e cada seguro. Muito seguro é opcional, e recusar o que não é obrigatório baixa o CET na hora.
A proposta vencedora é a de menor CET com o mesmo prazo e a mesma entrada, não a de menor juro nem a de menor parcela. Antes de tudo isso, confirme o valor de mercado do carro na Tabela Fipe, para não financiar um preço acima do que o veículo realmente vale; o passo a passo da consulta está em o que é a Tabela Fipe e como consultar.
O que a lei obriga o banco a mostrar
O CET não é cortesia do banco, é obrigação. A Resolução CMN nº 4.881, de 23 de dezembro de 2020, determina que as instituições financeiras informem o CET ao cliente pessoa física antes da contratação do crédito, expresso em taxa percentual anual e acompanhado do demonstrativo de cálculo item a item, conforme o Banco Central. Ou seja, você tem direito de ver, preto no branco, quanto está pagando de juro, de IOF, de tarifa e de seguro, e a que taxa anual tudo isso equivale. Se o vendedor empurra o contrato falando só da parcela e some quando você pede o CET, isso já diz bastante sobre a proposta.
Uma ressalva antes de assinar: as alíquotas, as tarifas e o próprio CET mudam de banco para banco e ao longo do ano, e o IOF acompanha o que estiver em vigor no decreto federal. Confira o CET anual escrito no seu contrato e refaça as contas na Calculadora do Cidadão do Banco Central, em vez de confiar no número dito de boca no balcão.
A taxa de juros anunciada serve para a propaganda; o CET serve para a sua decisão. Aqui na CarroCerto a gente compara financiamento pelo CET e por mais nada, porque taxa de vitrine não paga boleto. Peça o CET anual de cada banco, iguale prazo e entrada, some o total a pagar e escolha o menor CET, não a menor parcela. Corte todo seguro e serviço que for opcional, ponha a maior entrada que couber no orçamento para reduzir o valor financiado e o juro que incide sobre as tarifas, e confirme os cálculos na Calculadora do Cidadão do Banco Central. Se, mesmo com o menor CET, o financiamento pesar demais, meça esse custo contra consórcio, pagamento à vista ou o carro por assinatura antes de fechar.
Perguntas frequentes
A taxa de juros mede só o custo do dinheiro emprestado. O CET (Custo Efetivo Total) mede o custo da operação inteira: reúne os juros mais IOF, tarifa de cadastro, seguros, registro do contrato e as demais despesas, tudo somado e expresso como taxa anual. Por isso o CET é sempre igual ou maior que o juro anunciado, e é ele, não a taxa da propaganda, que revela quanto o financiamento custa de verdade.
Sim. A Resolução CMN nº 4.881, de 23 de dezembro de 2020, obriga as instituições financeiras a informar o CET ao cliente pessoa física antes da contratação, expresso em taxa percentual anual e com o demonstrativo de cálculo item a item. Você tem direito de ver o número por escrito antes de assinar. Se pedirem para você fechar sabendo só o valor da parcela, exija o CET anual e o demonstrativo.
Entram os juros, o IOF, a tarifa de cadastro, os seguros contratados (como o prestamista), os tributos, o registro do contrato no órgão de trânsito e, em usados, a eventual tarifa de avaliação do veículo. Para pessoa física, o IOF é de 0,38% fixos mais 0,0082% ao dia por até 365 dias, chegando a cerca de 3,38% no primeiro ano (base: Decreto nº 12.499/2025). Só o primeiro item é juro; todo o resto é custo acessório que infla a parcela.
Compare pelo CET anual, nunca pela taxa de juros nem pela parcela. Iguale prazo e entrada nas duas simulações, peça o CET de cada uma por escrito, some o total a pagar (parcela vezes número de parcelas) e confira os números na Calculadora do Cidadão do Banco Central. A melhor proposta é a de menor CET nas mesmas condições. Recusar seguros e serviços opcionais costuma derrubar o CET de imediato.
Dá, por alguns caminhos. Uma entrada maior reduz o valor financiado e, com ele, o juro que incide até sobre as tarifas. Prazos mais curtos costumam ter CET menor. Recusar o seguro prestamista e outros serviços opcionais tira peso da conta. Negociar ou questionar a tarifa de cadastro ajuda. E, depois de contratar, a portabilidade de crédito para um banco com CET menor pode valer, desde que a economia supere eventuais custos da troca.