Dentro de R$ 80 mil, o zero-km mais barato de rodar é o Fiat Mobi, com um gasto mensal estimado em torno de R$ 1.300 entre combustível, seguro, IPVA e manutenção. A etiqueta, porém, conta só metade da história: um seminovo popular de dois a quatro anos, que na Tabela Fipe também mora nesta faixa, costuma custar menos no total do mês, porque já levou o tombo de depreciação que o carro novo ainda vai levar. Esta lista reúne sete carros que cabem em R$ 80 mil, três zero-km e quatro seminovos, ordenados pelo custo estimado de rodar por mês, não pelo preço de vitrine. É a faixa de entrada abaixo dos R$ 80 mil, o pedaço do mercado que a maioria dos rankings pula, porque o carro novo mais famoso já passou desse teto.
Antes dos modelos, um aviso sobre os números. Os valores em reais aqui são retrato de mercado de meados de 2026, referência aproximada e não preço fechado: tabela de zero-km muda por estado e campanha do mês, e valor de seminovo muda por quilometragem, estado de conservação e região. O custo de rodar por mês parte de um modelo simples, cerca de 1.000 km rodados, gasolina E30 em torno de R$ 6 o litro, seguro médio de carro popular e IPVA perto de 4% do valor venal ao ano, componentes que a próxima seção abre um a um. Cada número de venda vem da Fenabrave, o valor de seminovo sai da Fipe e a Selic é do Banco Central. Antes de fechar, cruze o número deste guia com a Fipe do modelo exato e com a proposta escrita da loja, item por item, porque nenhuma estimativa substitui a ficha da unidade que está na sua frente. É o método que a gente aplica em toda lista por aqui: manda o custo de rodar por mês, não o número da etiqueta, e a depreciação entra na conta mesmo quando ninguém a coloca na planilha.
Por que R$ 80 mil de etiqueta não é R$ 80 mil de carro
O preço de compra é o gasto que você enxerga; a depreciação é o que enxerga tarde. Um zero-km popular perde algo entre 15% e 20% do valor no primeiro ano e continua caindo depois, ou seja, um carro de R$ 75 mil pode valer cerca de R$ 60 mil três anos à frente, e essa diferença é dinheiro que saiu do seu bolso sem passar por bomba de combustível nem por oficina. Por isso quem olha só a etiqueta compara errado: entre dois carros de R$ 78 mil, o que deprecia mais devagar é, na prática, o mais barato. O guia de carros que menos desvalorizam detalha quais nomes seguram melhor o valor de revenda nesta faixa.
Some a isso o financiamento, que é como a maioria compra nesta faixa. A Selic rondava 14,25% ao ano em meados de 2026 pelo Banco Central, um patamar em que cada R$ 5 mil a mais no valor financiado vira parcela pesada ao longo de quatro ou cinco anos. Alongar o prazo para caber a parcela é a armadilha clássica: a mensalidade baixa e o total pago sobe muito. Peça sempre o Custo Efetivo Total, e não só o valor da parcela na tela do vendedor, como explica o guia sobre o que é o CET no financiamento. Com juro nesse nível, a decisão entre um zero-km e um seminovo desta lista não é só de gosto, é de fluxo de caixa.
As contas que formam o custo de rodar
O custo de rodar por mês desta lista é a soma de cinco parcelas, e a última é a que quase ninguém coloca na planilha. São elas:
- Combustível: em torno de R$ 430 a R$ 520 por mês para um popular 1.0 rodando cerca de 1.000 km, já com a gasolina comum no formato E30 que vale desde agosto de 2025.
- Seguro: de R$ 190 a R$ 260 por mês num carro de entrada, sempre dependente de perfil, cidade e índice de roubo do modelo.
- IPVA e licenciamento: perto de R$ 250 a R$ 290 por mês diluídos no ano, calculados sobre cerca de 4% do valor venal em boa parte dos estados.
- Manutenção e pneus: de R$ 150 a R$ 250 por mês, contando revisão programada, óleo, filtros e a troca de pneus a cada dois ou três anos.
- Depreciação: a mais silenciosa, de R$ 400 a R$ 850 por mês conforme o carro seja seminovo ou zero-km, e é ela que decide o campeão de custo total.
Os quatro primeiros itens formam o número de custo de rodar que aparece em cada ficha abaixo; a depreciação fica reservada para a seção que compara zero-km com seminovo, porque é justamente onde as duas pontas trocam de lugar. Se quiser abrir a conta com valores por categoria de carro, o guia de quanto custa manter um carro por mês traz a mesma metodologia em detalhe.
Zero-km que ainda cabem novos abaixo de R$ 80 mil
Três carros novos ainda entram sob os R$ 80 mil em 2026, e os três são hatches 1.0 de vocação urbana. São o piso do mercado zero-km: o que se ganha em garantia de fábrica e tranquilidade mecânica se paga em equipamento enxuto e, sobretudo, na depreciação forte dos primeiros anos. Vão ordenados do mais barato ao mais caro de rodar por mês.
Fiat Mobi Like 1.0
É o carro novo mais barato do país, com preço de catálogo estimado entre cerca de R$ 58.990 e R$ 65.290, valor que muda por estado e campanha. Hatch 1.0 curto e leve, brilha no consumo urbano e cobra pouco de seguro e IPVA justamente por ser o mais barato, o que o coloca no menor custo de rodar desta lista, em torno de R$ 1.300 por mês. O alerta é o de sempre no piso do mercado: confira na proposta quantos airbags a versão exata traz de série, porque o pacote é curto e muda entre acabamentos. E lembre que, sendo zero-km, a depreciação dos primeiros anos é a maior conta escondida aqui.
Renault Kwid 1.0
A versão a combustão fica entre cerca de R$ 68.190 e R$ 74.640 em preço estimado de mercado, também 1.0 e urbano, o degrau logo acima do Mobi. O custo de rodar sobe pouco em relação ao líder, para algo em torno de R$ 1.360 por mês, empurrado por um seguro e um IPVA um pouco maiores sobre o valor mais alto. Existe ainda o Kwid E-Tech elétrico a partir de cerca de R$ 99.990, mas esse já passa do teto desta lista e é outra conversa de recarga e autonomia. Como no Mobi, a versão exposta na loja costuma ser uma acima da de tabela: peça a ficha da configuração pelo preço anunciado antes de se animar.
Citroën C3 Live 1.0
Pela tabela oficial da Stellantis para pessoa física, o C3 começa na versão Live por R$ 74.990, ainda sob o teto. Ao contrário do Mobi e do Kwid, ele tem espaço interno e posição de dirigir de carro maior, o que o torna a escolha de família pequena, não só de segundo carro. O custo de rodar é o mais alto dos três novos, perto de R$ 1.520 por mês, porque o carro maior pede um pouco mais de combustível e seguro. Dentro de R$ 80 mil você fica na Live aspirada; as versões turbo e automática do C3 sobem para além dos R$ 100 mil e mudam de conversa. É onde mora o melhor custo do modelo, desde que a Live já entregue o que você quer dirigir.
Seminovos que caem na faixa depois de perder o tombo
Aqui está o pulo do gato desta faixa. Os quatro hatches mais vendidos do país saíram das listas de zero-km sob R$ 80 mil, porque a linha 2026 subiu de preço, mas voltam para dentro do teto como seminovos de dois a quatro anos na Fipe. Você compra mais carro, com motorização e pacote de segurança que o zero-km barato não tem, e por um valor que já absorveu a queda mais dura de depreciação. A contrapartida é o risco de procedência, e ele é real: seminovo só compensa comprado direito, com laudo cautelar e histórico limpo, como mostra o passo a passo de como comprar carro usado com segurança. Vale entender também a lógica de preço de referência no guia sobre o que é a Tabela Fipe e como consultar. Os quatro vão de novo do mais barato ao mais caro de rodar por mês.
Fiat Argo 1.0 (seminovo)
Terceiro hatch mais vendido em maio de 2026 pela Fenabrave, o Argo novo começa acima do teto na linha atual, mas como seminovo de dois a quatro anos cai para a faixa estimada de R$ 72 mil a R$ 80 mil na Fipe. O 1.0 aspirado é econômico e barato de manter, o que o deixa no menor custo de rodar deste bloco, em torno de R$ 1.450 por mês. É o meio-termo típico de quem quer um hatch de verdade, com espaço e acabamento acima do popular de entrada, sem estourar os R$ 80 mil. Confira o histórico de manutenção e a quilometragem antes de fechar, porque no seminovo o que decide não é o ano, é a vida que o carro levou.
Hyundai HB20 1.0 (seminovo)
Vice entre hatches em maio de 2026 pela Fenabrave, o HB20 aparece como seminovo na faixa estimada de R$ 75 mil a R$ 82 mil na Fipe, com custo de rodar em torno de R$ 1.500 por mês. O trunfo é a segurança: o novo HB20 obteve 3 estrelas no Latin NCAP no resultado de 2023, com ocupante adulto em 68,30% e infantil em 74,85%, mas esse desempenho pressupõe a configuração com 6 airbags. Num seminovo isso importa dobrado: confirme quantos airbags a unidade específica tem, porque o mesmo modelo circula com pacotes diferentes conforme a versão de origem. É o hatch de revenda mais fácil deste bloco, o que ajuda quando chegar a hora de trocar de novo.
Chevrolet Onix 1.0 (seminovo)
O Onix foi por anos o hatch popular mais vendido do país e, com o facelift de 2026, o novo passou dos R$ 100 mil, deixando de ter versão nova abaixo do teto. Como seminovo de dois a quatro anos, porém, ele cai para a faixa estimada de R$ 78 mil a R$ 85 mil na Fipe e volta a caber, com custo de rodar em torno de R$ 1.600 por mês. É um dos hatches de manutenção mais simples e de rede ampla, o que baixa o custo de oficina e a espera por peça. O ponto de atenção é o preço pedido: por ser muito procurado, o Onix seminovo às vezes é anunciado acima da Fipe, então a régua do valor justo é a tabela, não o entusiasmo do vendedor.
Volkswagen Polo / Polo Track 1.0 (seminovo)
O Polo lidera as vendas de hatch no Brasil e, como seminovo, fica na faixa estimada de R$ 80 mil a R$ 88 mil na Fipe, no topo do teto e com o maior custo de rodar deste bloco, cerca de R$ 1.680 por mês. Em troca, é o hatch mais robusto e o de dirigir mais adulto entre os quatro, com 3 estrelas no Latin NCAP no protocolo 2020-2022, adulto em 73% e infantil em 71%, desempenho confirmado para a versão Track em 2023. A liquidez na revenda é alta, o que reduz o risco de ficar com o carro parado quando quiser vender. Custa um pouco mais para rodar por mês, mas paga parte disso na hora de repassar.
Quando você soma a depreciação
Até aqui o custo de rodar deixou de fora a parcela mais silenciosa, e é ela que vira a mesa. Um Mobi zero-km lidera o custo de rodar por mês, cerca de R$ 1.300, mas some a depreciação de zero-km, algo entre R$ 700 e R$ 850 por mês nos primeiros anos, e o custo total de propriedade salta para perto de R$ 2.000 mensais. Um HB20 ou um Onix seminovo de três anos roda por um pouco mais, cerca de R$ 1.500 a R$ 1.600, só que a depreciação já desacelerou para algo entre R$ 400 e R$ 600 por mês, o que pode deixar o custo total do seminovo igual ou menor que o do zero-km mais barato. É essa inversão que a etiqueta esconde: o carro de anúncio mais caro pode ser o mais barato de ter.
A decisão, então, não é qual carro é mais bonito, é qual conta você prefere pagar. O zero-km entrega garantia de fábrica, histórico limpo e nenhuma surpresa de dono anterior, ao preço de uma depreciação forte e concentrada. O seminovo entrega mais carro por real e um custo total menor, ao preço do risco de procedência, que se controla com laudo cautelar e paciência. Quem quer aprofundar essa escolha encontra o comparativo completo em carro zero ou seminovo em 2026. Nesta faixa de R$ 80 mil, os dois caminhos são defensáveis; o que não se sustenta é comparar zero-km e seminovo só pelo número da vitrine.
Veredito
Pelo custo estimado de rodar por mês, o ranking abaixo de R$ 80 mil começa nos zero-km: Fiat Mobi Like 1.0 em torno de R$ 1.300 por mês (preço de catálogo estimado em R$ 59 a 65 mil), Renault Kwid 1.0 perto de R$ 1.360 (R$ 68 a 75 mil estimado) e Citroën C3 Live 1.0 em cerca de R$ 1.520 (R$ 74.990 pela Stellantis), os três hatches 1.0 novos que ainda cabem na faixa. Entre os seminovos que caem no teto pela Fipe, a ordem de rodar por mês é Fiat Argo 1.0 perto de R$ 1.450, Hyundai HB20 1.0 em torno de R$ 1.500, Chevrolet Onix 1.0 por volta de R$ 1.600 e Volkswagen Polo Track 1.0 em cerca de R$ 1.680. Só que o custo de rodar não fecha a conta: some a depreciação e o quadro muda. O Mobi zero-km, líder de rodar, perde R$ 700 a R$ 850 por mês em desvalorização e sobe para perto de R$ 2.000 de custo total; um HB20 ou Onix seminovo de três anos roda por um pouco mais, mas deprecia bem menos, R$ 400 a R$ 600 por mês, e frequentemente sai igual ou mais barato de ter. Para quem prioriza tranquilidade mecânica e histórico limpo, o zero-km mais barato de rodar é o Mobi. Para quem quer o menor custo total e aceita comprar usado com laudo, um popular seminovo como Argo, HB20 ou Onix leva a melhor. Preço de tabela e valor de seminovo mudam de estado, de mês e de unidade; confirme cada cifra na Fipe do modelo exato e na proposta escrita da loja antes de assinar. Fontes: Fenabrave, Tabela Fipe, Latin NCAP, Banco Central e Stellantis, com valores em reais como estimativas de mercado sujeitas a reajuste.
Perguntas frequentes
O Fiat Mobi Like 1.0, com custo estimado de rodar em torno de R$ 1.300 por mês entre combustível, seguro, IPVA e manutenção. É também o carro novo mais barato do país, com preço de catálogo estimado entre cerca de R$ 58.990 e R$ 65.290. O detalhe que a conta de rodar não mostra é a depreciação de zero-km, forte nos primeiros anos, que empurra o custo total de propriedade para perto de R$ 2.000 mensais.
Pode, e é o ponto central desta lista. O custo de rodar de um seminovo popular de três anos, como HB20 ou Onix, fica em cerca de R$ 1.500 a R$ 1.600 por mês, um pouco acima do Mobi zero-km. Mas a depreciação do seminovo já desacelerou para algo entre R$ 400 e R$ 600 por mês, contra R$ 700 a R$ 850 do zero-km. Somando as duas contas, o custo total de propriedade do seminovo costuma ficar igual ou menor que o do carro novo mais barato.
Basicamente três hatches 1.0 urbanos: o Fiat Mobi, com preço de catálogo estimado entre cerca de R$ 58.990 e R$ 65.290; o Renault Kwid combustão, entre cerca de R$ 68.190 e R$ 74.640; e o Citroën C3 na versão Live, por R$ 74.990 pela tabela da Stellantis. Nomes muito procurados como HB20, Argo, Onix e Polo já começam acima do teto na linha nova de 2026, e por isso aparecem nesta lista apenas como seminovos.
A régua é a Tabela Fipe do modelo, ano e versão exatos, confrontada com o estado real da unidade. Um preço bem abaixo da Fipe costuma esconder problema de procedência, sinistro ou dívida; um preço bem acima é entusiasmo do vendedor num modelo procurado, como acontece com o Onix. Antes de fechar, faça laudo cautelar, confira quilometragem e histórico de manutenção e cheque restrições em nome do veículo. O passo a passo está no guia de compra segura de usados.
Muda, principalmente para quem financia. A Selic rondava 14,25% ao ano em meados de 2026 pelo Banco Central, patamar em que cada R$ 5 mil a mais no valor financiado vira parcela pesada ao longo do contrato. Isso favorece o seminovo, que já parte de um valor menor, e penaliza alongar o prazo só para caber a mensalidade. Peça o Custo Efetivo Total, não apenas o valor da parcela, e considere dar uma entrada maior para reduzir o total de juros pago.